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Wall Street Journal envolve Arnaut nos empréstimos do Goldman Sachs ao BES

19.01.15, Planeta Cultural

Num artigo intítulado "Por dentro do empréstimo do Goldman Sachs ao BES", os jornalistas do Wall Street Journal relembram as declarações de José Luís Arnaut, numa entrevista, no verão passado.

 

"O BES é um banco profundamente estável". Estávamos em fim de junho do ano passado e, em declarações à Antena 1, José Luís Arnaut prosseguia: Ricardo Salgado, que então já havia anunciado a sua saída, "deixa um banco robusto com capital e credibilidade". Um mês depois, o banco colapsou. José Luís Arnaut trabalhava para o Goldman Sachs. E o Goldman Sachs tinha-se tornado acionista relevante do BES e emprestado 835 milhões de dólares (681 milhões de euros à data) ao banco português, quando já nenhum banco o fazia.

 

 

Goldman Sachs e Banco de Portugal estão agora em conflito por este empréstimo ter sido transferido, no final do ano passado, para o "banco mau".

 

"Quando o Goldman Sachs contratou no verão passado um empréstimo de 835 milhões de dólares ao Banco Espírito Santo, isso foi o resultado de um esforço concertado de vários meses de vários executivos seniores do Goldman para ganhar negócios com o grande banco português", escreve o Wall Street Journal, que cita fontes próximas do processo.

 

O empréstimo em causa foi concedido numa altura em que o BES já tinha enormes dificuldades em financiar-se junto do sistema bancário internacional. E foi aprovado "por pelo menos três comités do Goldman", compostos por executivos seniores do banco "nomeados para avaliar rigorosamente as transações quanto ao risco de crédito e ao potencial de afetar a reputação do banco", prossegue o diário.

 

Arnaut, que foi nomeado membro do comité de aconselhamento internacional do Goldman Sachs pouco tempo antes, no início de 2014, "por causa da sua espessa agenda de contactos", diz o jornal, "estabeleceu contacto com Ricardo Salgado" e "ofereceu a ajuda do Goldman para conseguir dinheiro emprestado". Já António Esteves, o português sócio do Goldman Sachs, reuniu uma equipa em Londres para "criar uma estrutura complicada para obter o empréstimo", escreve o WSJ.

 

Michael Sherwood e Richard Gnodde, chefes do banco em Londres, também acompanharam o processo, segundo a mesma fonte. O Goldman Sachs criou uma sociedade veículo, a Oak Finance, para estabelecer o financiamento. A Oak Finance terá sido usada para financiar um projeto na Venezuela. Esse seria o interesse do Goldman: ganhar negócios com o banco português, numa ponte com a Venezuela, país com que o BES tinha fortes relações.

 

O empréstimo do Goldman Sachs de 835 milhões de dólares "entrou" no BES a 3 de julho. Segundo o Goldman, o Banco de Portugal disse a responsáveis do banco que este empréstimo ficaria no "banco bom", o Novo Banco, o que o Banco de Portugal nega. Em dezembro, o empréstimo foi transferido para o "banco mau", o BES, o que obrigou o Goldman a assumir o prejuízo já nas suas contas do último trimestre de 2014. O assunto gerou um conflito que está a gerar reuniões e conversas entre as partes. O Banco de Portugal justificou a sua decisão por o Goldman ter tido uma posição acionista superior a 2% do BES (Goldman comprou então 2,27% do banco).

 

Contactados pelo Wall Street Journal, José Luís Arnaut e António Esteves não quiseram comentar as informações publicadas.

 

 

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