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Peter Boone: O doutorado de Harvard que manipulou dívida portuguesa

Quinta-feira, 29.10.15
"O próximo problema mundial: Portugal" é o artigo do reconhecido economista que mais polémica gerou. De tal forma que mereceu uma resposta do então ministro das Finanças, Teixeira dos Santos. O problema é que o agora arguido estava ligado a um "hedge fund".
 

Um ganho de 820 mil euros com a venda a descoberto de dívida pública portuguesa. Este terá sido o factor que fez soar os alarmes da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), e que, sabe o Negócios, levou à participação pelo regulador ao Ministério Público. Em causa está Peter Boone, economista reconhecido internacionalmente, que terá escrito vários artigos de opinião, influenciando negativamente os juros da dívida portuguesa. O Ministério Público quer agora, por isso, que seja julgado por manipulação do mercado.

"O Ministério Público requereu o julgamento de um arguido de nacionalidade canadiana e residente em Londres, pela prática do crime de manipulação de mercado, tendo por objecto a desvalorização das obrigações do tesouro portuguesas", informou a Procuradoria-Geral da Distrital de Lisboa, em comunicado publicado na quinta-feira, 29 de Outubro, no próprio site. O Negócios sabe que em causa está Peter Boone, economista doutorado na Universidade de Harvard e autor de vários artigos de opinião.

Textos que estão na origem da "acusação por crime com contornos inéditos", reconhece a Procuradoria. O Negócios sabe que a denúncia partiu da CMVM em 2012, sendo que o regulador foi contactado como perito durante toda a investigação. "O próximo problema mundial: Portugal" é o título do artigo mais polémico, que escreveu com Simon Johnson, em Abril de 2015, no blog Economix do jornal The New York Times. Os autores apontavam os problemas da dívida pública portuguesa e defendiam que o país iria seguir o caminho da Grécia, pedindo um regaste internacional.

Tal foi o alcance do artigo que o então ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, chegou a pronunciar-se. "Num mundo de expressão livre também se podem escrever disparates sem fundamentação sólida, reveladores de ignorância quanto às diferenças existentes entre os países da zona Euro", disse então em comunicado.

A escalada da dívida

Certo é que, logo após a publicação do artigo, a taxa de juro das obrigações portuguesas a 10 anos iniciou uma subida vertiginosa. Passou de 4,395% para um máximo de 6,285%, a 7 de Maio. Um desempenho originado pela queda do preço das obrigações, com a qual Peter Boone terá alcançado uma mais-valia de 819.099,82 euros graças a uma posição curta, diz o comunicado da Procuradoria.

 

Apesar da alegada manipulação do mercado, a história veio a confirmar que Peter Boone estava correcto. A 5 de Abril de 2011, o então primeiro-ministro, José Sócrates, pedia a assistência económica e financeira. O conhecido resgate pelo Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional, que durou até 2014. Nesse período, Portugal viu os juros da dívida a 10 anos dispararem acima dos 18%. Agora, com a recuperação económica e o apoio das compras de activos do BCE, a mesma taxa está nos 2,5%.

 

 

In' Jornal de Negócios

 

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Publicado por Planeta Cultural às 21:24


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