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Operadores turísticos do Porto criam bilhete único para “não perder o cliente”

Terça-feira, 18.02.14
Além do novo bilhete válido para produtos similares com mais do que um fornecedor, as 48 empresas que compõem a ACT / Porto Tours vão lançar pacotes temáticos para que as atracções mais vendidas “alavanquem” as restantes.
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“Imagine os passeios de barco no rio Douro, em que temos sete ou oito associados com esse serviço. Com um bilhete único, o turista pode não conseguir ir no barco daquela empresa que sai às 14h, mas vai no que sai às 15h. Ou seja, ele compra o “produto barco” e não aquele operador ou aquela hora”. É com este exemplo, cuja lógica é válida, entre outras, para as três empresas que operam autocarros turísticos na cidade – “se estiver à espera na paragem pode entrar no primeiro autocarro que passar” – que Susana Ribeiro apresenta o bilhete único, que será lançado em 2014.

 

Ao Negócios, a presidente da direcção da ATC/Porto Tours adiantou que o novo serviço é “válido para produtos similares em que há mais do que uma oferta” e serve para os operadores associados “reflectirem em conjunto, para que vejam a vantagem que é não perder um cliente”. “Mesmo que não tenha o produto [disponível], outro terá. É para trabalharem em rede, o interesse é ver quanto é que todos vendemos e não só um de nós”, detalhou a líder desta associação de direito privado, que explora em regime de exclusividade os postos de turismo na Invicta.

 

Além do bilhete único, apresentado como “uma tentativa de acrescentar mais satisfação ao turista” que visita a cidade eleita como melhor destino europeu em 2014, a associação que começou há dez anos a juntar os principais empresários locais do sector numa única plataforma – e a comercializar os seus serviços, individual ou de forma agregada – vai também criar pacotes turísticos, temáticos ou totalmente personalizáveis. À vantagem no preço individual para os visitantes corresponderá um aumento de receitas para as atracções menos conhecidas, que ainda tentam figurar nos principais guias turísticos.

 

“Vamos tentar agregar aquelas ofertas mais tradicionais, como o barco rabelo, o 'City Sightseeing' ou os cruzeiros no Douro, a produtos mais recentes como as motas, os ‘tuk tuk’ ou os Segway. Ou combinar a oferta de associados, como o museu de Serralves com a Sinagoga do Porto. Vamos tentar que os produtos mais vendidos alavanquem aqueles que são novidade e ainda não são tão conhecidos, com o objectivo também de mostrar uma cidade diferente”, acrescentou Susana Ribeiro.

 

Novo portal com reservas directas

 

Uma terceira novidade, que será apresentada esta quarta-feira no Palácio da Bolsa, é a reformulação do portal da ATC/Porto Tours na Internet. Além de modernizar a imagem de uma página que já está em linha há dez anos, o novo “site” vai disponibilizar um serviço directo de reserva e pagamento “online”, já que serão os próprios operadores a colocar a disponibilidade. No ano passado, a cidade registou um aumento de 14% de dormidas face a 2012.

 

Com origem num projecto da Câmara do Porto para organizar o segmento de circuitos turísticos na cidade, a ATC/Porto Tours é uma associação sem fins lucrativos, com 48 operadores turísticos associados, que representam uma oferta de mais três centenas de produtos de 30 categorias diferentes. Em 2013, a facturação total subiu 56%, ultrapassando o meio milhão de euros. Com estas três novidades, a responsável acredita que o volume de negócios – inclui as quotas e as receitas provenientes da venda deste serviços nos quiosques e “online” – irá aumentar a dois dígitos em 2014.

 

No ano passado, o número de clientes ascendeu a 24.871, enquanto o número de reservas cresceu 82%, totalizando 6.981 (um número inferior justificado pelo facto de, por exemplo, num passeio de barco ser feita uma única reserva para meia centena de pessoas). França, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Brasil estão no topo da lista de nacionalidades que mais procuram estes produtos e serviços. Na cidade e não só, já que a oferta integra também vários programas na região vitícola do Douro, em Guimarães, em Santiago de Compostela, em Fátima ou em Lisboa.

 

“E, cada vez mais, as próprias agências de viagens e ‘traders’ turísticos, em vez de pedirem orçamentação a várias empresas para um determinado programa, recorrem a nós. E um hotel que tem um cliente que quer fazer algo específico já nos contacta para fazermos essa “empacotagem” do produto e darmos o orçamento dos associados”, destacou Susana Ribeiro, que lidera a ATC/Porto Tours em representação da autarquia portuense.

 

 

In' Jornal de Negócios

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Publicado por Planeta Cultural às 21:42


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