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Documentos do Estado Islâmico revelam normas para tratar escravos e colher órgãos

Segunda-feira, 28.12.15

Segundo a documentação capturada pelos Estados Unidos, o Estado Islâmico considera lícito matar infiéis para colher órgãos para salvar a vida a um jihadista.

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O autoproclamado Estado Islâmico tem normas que explicam detalhadamente como se devem tratar escravos e a permissibilidade de se colher órgãos de prisioneiros para poder salvar a vida a combatentes.

 

O raide norte-americano que em Maio resultou na morte de Abu Sayyaf, alto oficial do Estado Islâmico, permitiu ainda às forças especiais americanas recolher uma grande quantidade de documentos do grupo terrorista, a que a agência Reuters teve agora acesso.

 

Os documentos confirmam o esforço que os quadros do grupo fazem para justificar todas as suas decisões na teologia islâmica, ainda que as suas conclusões sejam rejeitadas por muitos muçulmanos.

 

Num exemplo, os clérigos do EI admitem que é permissível retirar órgãos a um infiel para salvar a vida a um jihadista. Essa autorização estende-se inclusivamente a órgãos cuja colheita resulta obrigatoriamente na morte do “dador”. Para justificar esta decisão, o documento invoca uma antiga doutrina islâmica, dos primórdios do islão, que diz que em casos de fome é permitido matar um infiel para comer a sua carne, “beneficiando assim do seu corpo”. O princípio é assim alargado ao transplante de órgãos.

 

O governo iraquiano já tinha acusado o Estado Islâmico de traficar órgãos das suas vítimas. Embora estes documentos não comprovem a prática, fornecem pelo menos as bases teológicas ao grupo para a poderem justificar.

 

Em Fevereiro, o embaixador do Iraque junto das Nações Unidas pediu ao Conselho de Segurança que investigasse a morte de 12 médicos no hospital de Mossul que alegadamente tinham sido mortos por se recusarem a retirar órgãos para este fim, mas a suspeita carece de confirmação.

 

Como tratar escravos

 

Os documentos incluem ainda informação sobre como tratar escravos.

 

Num livrete intitulado “Dos mandamentos do Criador sobre escravatura e captura de prisioneiros”, explica-se que as escravas não devem ser separadas dos seus filhos menores, por exemplo, mas noutro ponto permite-se que os combatentes tenham relações sexuais com as escravas – que mais não são do que mulheres não-muçulmanas capturadas pelo grupo – sempre que quiserem.

 

As normas do Estado Islâmico aplicam-se não só ao território que ocupa na Síria e no Iraque, mas também às suas autodenominadas “províncias”, na Nigéria, no Sinai e no Sul da Ásia.

 

 

In' RR

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Publicado por Planeta Cultural às 20:47


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