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Chineses pagam 10 mil euros à Espanha por aeroporto que custou 450 milhões

Terça-feira, 11.08.15

O Aeroporto D. Quixote pretendia ser de mercadorias e lutar pelo tráfego excedente de Barajas, mas os ventos da crise derrotaram-no.

 

Idealizado no final da década de 90 como estrutura para mercadorias inserido num projecto de grande zona industrial, o aeroporto Ciudad Real, construído com cerca de 500 milhões de euros de dinheiros privados, e inaugurado em 2008, foi vendido por 10 mil euros.

 

A dimensão e ambição estão espelhadas na pista, que com os seus 4.200 metros de comprimento é das maiores da Europa, permitindo a aterragem de um Airbus A380. A 19 de Dezembro de 2008, levantava voo o primeiro avião comercial do aeroporto Dom Quixote com destino a Barcelona. Era o início de um projecto de apoio ao aeroporto de Barajas, o principal de Madrid.

 

A 29 de Outubro de 2011, finalizado o contrato que lhe dava subvenção pública para ali operar, a low-cost espanhola Vuelling – pertencente à Iberia –, a última companhia que ainda ali aterrava, deixou de usar o Dom Quixote. Outras, como a Ryanair, já ali tinham operado. Nas estruturas que ficaram sem utilidade estava uma passadeira com 500 metros, de ligação do terminal a uma das vias do comboio de alta velocidade (AVE, correspondente ao TGV francês), na linha de Madrid a Sevilha.

 

Nos últimos tempos – escrevia o jornal El Pais em Outubro de 2011 –, até o serviço regular de autocarros que fazia ligação ao aeroporto estava limitado aos momentos em que algum voo aterrava. Para chegar ali, um táxi custava 18 euros a partir de Ciudad Real, indicava uma reportagem do jornal no ano em que a crise estava no auge nos países do sul da Europa. Mais de 450 milhões de euros depois e com uma dívida acumulada de 319 milhões de euros, o aeroporto ficava sem utilização.

 

Agora, sete anos após o investimento e quatro anos após o último voo regular da Vuelling, o aeroporto de Ciudad Real foi vendido por 10 mil euros. Os compradores, um grupo investidor chinês, compromete-se a investir entre 60 e 100 milhões de euros.

 

Um valor aproximado dos mais de 100 milhões de euros aplicados pela Caja de Castilla la Mancha, acrescidos de créditos concedidos a accionistas privados. Uma Caja cujos gestores, aponta o jornal espanhol, foram consecutivamente nomeados por dirigentes do PSOE e do Partido Popular. E que foi intervencionada pelo Estado em 2008.

 

A Tzaneen International – que o jornal El Pais diz ter-se inscrito no registo comercial de Espanha há uns meses, com capital social de 4.000 euros –, foi o único concorrente nesta hasta pública, cinco anos após o aeroporto ter entrado em falência.

 

Para os chineses fica os terrenos do aeroporto e os imóveis, incluindo a torre de controlo, os hangares e a própria pista. Segundo o El Pais, a empresa garante que há várias empresas que pretendem tornar o Dom Quixote na porta de entrada de mercadorias na Europa. Caso haja alguma empresa que no prazo de 20 dias avance com uma proposta superior, ao grupo chinês bastará igualar a oferta, visto ter direito de preferência.

 

 

Para visitar a fonte da informação, clique aqui

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Publicado por Planeta Cultural às 16:43

1 comentário

De Planeta Cultural a 11.08.2015 às 16:49

Isto é que são grandes negócios..!

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