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Planeta Cultural

Acima de tudo, cultura geral

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Joe Berardo diz que lançou avisos sobre João Rendeiro em 1998

24.06.09, Planeta Cultural

Joe Berardo, um dos homens mais ricos de Portugal, afirmou hoje que foi accionista do BPP, mas que em 1998 retirou todo o dinheiro do banco liderado por João Rendeiro, depois de se aperceber de movimentos pouco transparentes.

"O BPP estava marcado há muitos anos. Em 1998 tirei de lá o meu dinheiro e fiz um anúncio de uma página inteira no Público", disse Joe Berardo, acrescentando que "as pessoas, quando não são honestas, nem o Banco de Portugal, nem ninguém pode ter controle sobre a situação".

"Podemos sempre criticar [a supervisão], mas não é fácil", considerou, ao mesmo tempo que disse sobre a possibilidade do Governo poder deixar falir o BPP.

“É sempre mau deixar um banco cair, ainda mais num sistema bancário pequeno como o português", acrescentou Berardo.

Sobre os clientes do BPP, Berardo frisou que "há um seguro que protege os depositantes, agora sobre os que investiram em bolsa, é como eu. Se vão salvar uns, também têm que salvar os outros".

Questionado sobre o produto de retorno absoluto com garantia de capital, o comendador sublinhou que "os bancos deviam ser supervisionados também pelos produtos que vendem, que deviam ser investigados".

Numa entrevista concedida a 15 de Março ao Correio da Manhã, Berardo explicou o porquê de ter vendido todas as acções que detinha no BPP em 1998: "Tínhamos uma guerra com o Sousa Cintra sobre as Pedras Salgadas. Aconteceram umas transacções e o banco estava a dever uns dinheiros. E como é que me pagaram? O fundo do banco vendeu-me acções a um preço mais barato".

"Um mês depois comprou-me essas acções a um preço mais caro. Os fundos dirigidos pelo banco foram comidos. Em vez de pagar o banco pagou o fundo. Nesse dia, logo que recebi o meu dinheiro, disse ao meu advogado para reunir com o João Rendeiro e vender tudo", acrescentou.

"Mais cedo ou mais tarde algo ia acontecer. Porque se ele fez isso a mim, para meu benefício, porque é que não irá fazer outra vez para benefício dele ou de outras pessoas?", prosseguiu Berardo quando confrontado se já tinha percebido que algo corria mal no BPP.

O empresário madeirense garantiu ainda que nem a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), nem o Banco de Portugal lhe fizeram qualquer pergunta sobre o negócio, que ocorreu há 11 anos.
 

 

Fonte Jornal de Negócios