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Planeta Cultural

Acima de tudo, cultura geral

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Moçambique: Automobilistas desrespeitam usuários da bengala branca

21.10.09, Planeta Cultural

PARTE significativa de automobilistas que circulam na cidade de Maputo desconhecem o significado da bengala branca usada pelos deficientes visuais. Outros, mesmo sabendo o que ela representa para os seus usuários, chegam ao cúmulo de buzinarem quando estes atravessam na rodovia.

 

Aliado a tudo isto há ainda a confusão que se gera entre aquela vara de auxílio para cegos e o taco de jogo de bilhares, comumente usado em lugares de lazer.

 

Esta constatação foi feita por Isaura Baptista, deficiente visual e membro da Associação dos Cegos e Amblíopes de Moçambique (ACAMO), falando ao “Notícias” à-propósito do 15 de Outubro, Dia Internacional da Bengala Branca, celebrado quinta-feira no nosso país.

 

A fonte mostrou-se preocupada com o facto de ser cada vez crescente o número de motoristas que não param ao verem um portador de deficiência visual a atravessar uma rua. No caso daqueles que buzinam aos cegos, podem obter resultados negativos dos que esperavam, pois, um invisual nunca saberá se tem que prosseguir com a marcha, se deve parar ou se deve recuar, já que o mesmo não pode ver a viatura a aproximar-se.

 

Um outro constrangimento apontado por Isaura Baptista vai para a grande demanda de carros na cidade de Maputo que leva a que alguns sejam estacionados nos passeios.

 

Aliado a esta dificuldade de locomoção dos cegos está a invasão dos “informais” que vendem quinquilharias e bugigangas diversas, impedindo a livre circulação de pessoas. Muitos cegos chegam a tropeçar nesses produtos e alguns proprietários pouco tolerantes põem-se mesmo a exigir o pagamento pelos danos.

 

Os contentores de lixo mal posicionados também chegam a embaraçar a caminhada dos portadores visuais. Alguns mesmo com bengala já esbarram com contentores que foram colocados em lugares inapropriados.

 

Paralelamente a este constrangimento há um facto curioso, mas preocupante: a inexistência de um estabelecimento que comercializa este tipo de material, caso de bengalas brancas, máquina Braile, respectivo papel e pautas. Neste momento os deficientes só podem adquirir este equipamento  no estrangeiro ou esperar por doações de pessoas e instituições de boa vontade.

 

A terminar, a entrevistada pediu que houvessem palestras nas escolas para falar sobre a problemática das pessoas portadoras de deficiência, particularmente dos invisuais, ensinando os alunos  a respeitá-los tal como os outros cidadãos.

 

Apelou aos pais e encarregados de educação para que levem os filhos com problemas de visão para se aproximarem à ACAMO para uma melhor orientação.

 

O 15 de Outubro é  Dia Internacional da Bengala Branca, foi estabelecido pela Federação Internacional de Cegos em 1970. A comemoração tem por objectivos reconhecer a independência das pessoas cegas e a sua plena participação na sociedade.

 

A bengala branca é um símbolo da igualdade é o símbolo da cegueira. A bengala branca converteu-se num símbolo de independência, liberdade e confiança. A sua utilização permite ao deficiente visual movimentar-se livremente.

 

Fonte: Jornal Notícias