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Planeta Cultural

Acima de tudo, cultura geral

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Manoel de Oliveira escreve sobre Manoel de Oliveira: "Não serei amanhã o que sou hoje"

03.04.15, Planeta Cultural

O maior cineasta do mundo, como sempre acreditaram os franceses, estará agora no firmamento, como cria que seria o "estar" após a morte. Olhando alguns textos por si escritos, encontramos um homem tranquilo, erguido a partir de uma criança preparada para a instabilidade e de um jovem que gozou bem os prazeres da vida. Mas também de um adulto confundido por não acreditar na ciência, mas ser um apaixonado pelo cinema.

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Manoel de Oliveira chegou ao seu finamento, a vida deixou de lhe correr por dentro como as águas nos cursos talhados para os rios. Ao completar 106 anos, três meses e treze dias, o realizador entrou para esse grande espírito, esse imenso Oceano onde todos acabaremos por desaguar. Era assim que parecia encarar a morte, sabendo que amanhã não seria o que era hoje.

 

A construção do primeiro parágrafo é feita com palavras deste portuense que se dizia "um apaixonado realizador de filmes" e "um amante do cinema". Numa releitura de textos por si escritos e publicados pelo Instituto Camões em 2001, traçamos aqui, rapidamente, talvez até abusivamente, o seu retrato aproveitando-nos das suas conjeturas, mesmo correndo o risco de desconhecermos o seu mais atual pensamento, uma vez que Oliveira também se assumia como um ser diferente de dia para dia.

 

"Nele me vejo e me revejo como num espelho multifacetado, pois ontem era uma cousa e hoje já é outra, outra será certamente amanhã. Assim como ele mudou também eu mudei e já não sou hoje o que fui ontem e não serei amanhã o que sou hoje. O que quer dizer que a vida corre por dentro da gente como as águas nos cursos talhados para os rios até chegar ao seu finamento. Finamento que é a nossa entrada para esse grande espirito, esse imenso Oceano onde todos acabaremos por desaguar."

Rios da Terra, Rios da Nossa Aldeia

 

 

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