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Planeta Cultural

Acima de tudo, cultura geral

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Seduz mulheres para lhes roubar ouro e dinheiro

08.08.10, Planeta Cultural

No início, o fulgor do namoro não as deixou suspeitar do "cavalheiro" que, após tecer a teia da sedução, lhes subtraía ouro e dinheiro. Duas mulheres, uma da Trofa e outra de Barcelos, contam ao JN como foram enganadas pelo mesmo homem, para que não se repita.

"Paulo" ou "Estêvão", como se apresentou a cada uma, será um inesperado - mas eficaz - "Don Juan": barrigudo, entroncado, as feições grosseiras a somar uns 15 anos aos 38 que na realidade tem e "lábia" para fazer "qualquer pessoa cair" nela. À míngua de dotes físicos, as manobras de conquista são, pois, investidas no cavalheirismo que as duas visadas, ambas empregadas domésticas, sós e com filhos, descreveram ao JN.

"Estou muito revoltada comigo. Sabe porquê? Porque vivi toda a minha vida sozinha com o meu filho e sempre me remediei e desenrasquei. Nunca precisei de ninguém. Como é que fui cair numa esparrela destas?". Alice, 39 anos, solteira e com um filho, foi iludida, roubada, agredida, insultada e ameaçada de morte, em Junho de 2009, pelo então companheiro, que vivia há mais de ano e meio em casa dela, em Barcelos.

Ainda assim, deu-lhe "outra oportunidade", em Janeiro, depois de o homem ter afirmado, em tribunal, que "tinha mudado". "Jurou à juíza que não voltava a fazer [espancá-la e roubá-la] e que gostava muito de mim. Acreditei nele", justifica Alice. Perdeu cerca de 2000 euros em ouro e dinheiro.

Porquê? A resposta é simples: "Gostava dele". Alice - alta, bem constituída e um pouco envelhecida para a idade - é uma "mulher de garra" mas de gargalhada fácil. Hoje, já se ri do engodo que viveu, mas sente-se a raiva: "Fui tão burra. Não sei como aguentei tanto. Eu não era pessoa de me deixar levar assim... ", martiriza-se.

"Perdi mais de dez mil euros"

Adélia, 46 anos, divorciada, não sobressairia numa multidão, apesar de andar sempre bem vestida. Nada a ligava a Alice até descobrir o seu número de telefone na agenda de um telemóvel que o alegado burlão deixou na sua casa, em S. Romão do Coronado, Trofa, onde viveu cerca de mês e meio. Soube então que não fora a primeira a ser enganada e roubada pelo homem de quem se enamorara, e que "Paulo" era nome falso. Como tudo o resto.

"Meti um ladrão dentro da porta", admite, com a amargura ainda viva. Conheceu-o em Abril passado, através de uma amiga que com ele tinha contactado ao responder a um anúncio para empregada doméstica. Tudo mentira, claro. À primeira aberta confessou que o que procurava mesmo era uma amante. A amiga rejeitou-o, mas lembrou-se dele ao sentir a solidão de Adélia. "Ela disse-me: 'Aproveita. Estás sozinha e não tens nada a perder. Se der certo, deu. Se não der…"'. Não deu e Adélia tinha o que perder: "Muito para cima de dez mil euros", lamenta.

"Paulo" contou que era "muito rico e que estava a divorciar-se porque a esposa o tinha traído", recorda. Ao fim de uma semana, disse-lhe que queria viver com ela e conhecer os seus filhos, a quem, aliás, presenteou com "sapatilhas caras". No início de Maio, mudou-se para o apartamento de Adélia. "Foi tudo muito rápido. Pareceu-me uma pessoa honestíssima. Disse que trabalhava em Ermesinde e que ganhava mil euros. Sempre muito cavalheiro. Puxava a cadeira para me sentar…", relata.

O fim do romance precipitou-se em meados de Junho, quando Adélia deu pela falta de dinheiro no banco e depois de uma pulseira em ouro que quis vender para tapar o rombo de 1000 euros numa conta. "Isto apanhou-me de surpresa. E ele jurava-me que não foi ele", conta. "Até ser chamada ao banco, fiquei na dúvida. Nunca pensei que ele tirasse o dinheiro", confessa. Houve, ainda, levantamentos das contas dos filhos, e Adélia descobriria que o ouro que tinha em casa desaparecera. A 19 de Junho, notou que a sua conta corrente tinha "só" 76 euros. "Foi um choque muito grande", diz.

"Paulo" não mais regressou a casa, levando-lhe o carro. Ao telefone, disse-lhe: "'Se quiseres a carrinha, vai para tribunal'", recorda Adélia. Desde então, as únicas notícias que tem tido do ex-companheiro são tentativas de contacto telefónico, insultos e ameaças de morte que se estendem à filha menor. Adélia queixou-se à GNR e à Polícia Judiciária.

 

 

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