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Militares alertaram para possível «crise de segurança»

Quarta-feira, 20.03.13

Mais de 300 militares concentraram-se hoje junto à residência oficial do primeiro-ministro e alertaram para o perigo de «uma crise de segurança em cima da crise económica, financeira e social», criticando os «cortes cegos» idealizados pelo Governo.

«É bom que o Governo de Portugal e, concretamente, o Ministro da Defesa Nacional, diga aos portugueses se quer, em cima de uma crise económica, financeira e social, ter também uma crise de segurança», afirmou Luís Reis, dirigente da Associação de Praças (AP).

O líder da AP acompanhou os homólogos da Associação Nacional de Sargentos (ANS), Lima Coelho, e da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), Manuel Cracel, na entrega de uma resolução saída do encontro de militares de 06 de março, dando conta do descontentamento e do «mau moral» reinantes e a exigir a participação das suas organizações nos grupos de trabalho que visam reestruturar as instituições.

«Quando se fala em órgãos de soberania, de segurança como são as Forças Armadas (FA), é evidente não se pode trazer para a praça publica uma reforma destas. Tem de se falar com as chefias militares, com as associações, que são parte integrante deste processo, e não se pode lançar para o comum dos cidadãos um anátema sobre as FA e os militares que nelas servem», continuou o representante da AP.

Para Luís Reis, «os oito mil efectivos, como objectivo a cortar até 2020, numa altura em que as FA, do ponto de vista de recursos humanos e de meios já atingiu o seu limite», vai colocar em causa a «operacionalidade» das mesmas e «poderá estar em causa o interesse e missão pública que prestam».

Os militares não descartam outras formas de protesto e luta contra o que consideram ser um processo de «desmantelamento das FA», caso as suas reivindicações fiquem por atender, embora sem revelar quais.

«O general Carlos Chaves não nos pôde receber por motivos de agenda, mas fomos recebidos pelo tenente-coronel Costa. Transmitimos a resolução e as preocupações e mal-estar que assolam a instituições militares», completou, sublinhando que os membros das FA são «cidadãos em uniforme, que têm famílias e sentem na pele os cortes e a austeridade preconizados por este Governo».

O ministro da Defesa Nacional, Aguiar Branco, anunciou há semanas que a reformulação das FA implicará reduções de custos em 218 milhões de euros a partir de 2014, incluindo perto de oito mil efectivos.

 

 

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Publicado por Planeta Cultural às 21:44


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