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Planeta Cultural

Acima de tudo, cultura geral

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Número de médicos em exclusivo no privado dispara

20.09.09, Planeta Cultural

O Serviço Nacional de Saúde está com falta de médicos e muitos estão a chegar à idade da reforma. Mas os privados já absorvem uma fatia relevante dos recursos médicos. As principais unidades já têm mais de 700 clínicos a trabalhar a tempo inteiro.
 

 

O número de médicos que abandonou o Serviço Nacional de Saúde (SNS) para ir trabalhar para o sector privado disparou nos últimos anos. Só as principais unidades dos três maiores grupos privados do País empregam hoje mais de 700 médicos a tempo inteiro, apurou o DN, um número que tem crescido "sobretudo nos últimos cinco anos", conta Isabel Vaz, presidente da Espírito Santo Saúde.

 

"Há uma clara tendência de crescimento", acrescenta. Os dois maiores hospitais, Luz e Arrábida, empregam "cerca de 800 médicos. Calculamos que 70% ([cerca de 560] dos que lá trabalham estão em exclusivo". As outras unidades da ESS, mais pequenas, têm metade dos médicos em exclusividade. Na Luz, que já tem dois anos, a filosofia já era essa; na Arrábida, por outro lado, "apenas 10% a 20% dos médicos estavam no quadro há cinco anos", ressalva.

 

Na José de Mello Saúde a situação repete-se. Em 2001, a Cuf Descobertas tinha apenas três médicos vinculados. "Hoje temos 62 em exclusivo", refere. No grupo trabalham já 110 médicos a tempo inteiro, correspondentes a 30% do total, segundo José Carlos Lopes Martins, administrador do grupo. O grupo tem actualmente mais um hospital e quatro clínicas, que têm mais 48 médicos no quadro.

 

Nos Hospitais Privados de Portugal (HPP), a relação é a mesma. "Já temos 800 médicos a trabalhar connosco, quando tínhamos cerca de 450 há ano e meio. A maioria continua a trabalhar noutro sítio, especialmente no SNS. Mas os casos de exclusividade são cada vez mais", diz o administrador José Miguel Boquinhas. De 15 passaram para 62 médicos no quadro.

 

Os três grupos têm um fatia de 65% a 75% da facturação total do sector privado. Em 2008, os resultados dos três ascenderam a 527 milhões de euros em 2008. E as previsões são de novo de subida. Logo, de mais contratações numa altura em que todos os especialistas reconhecem haver falta de médicos no SNS (ver texto ao lado).

 

Isabel Vaz tem uma vasta experiência em contratações. Por isso é a primeira a desmistificar a importância do vencimento. "O salário não é nem de perto nem de longe o mais importante. Um médico raramente decide ficar connosco pela questão monetária", refere.

Apesar de ser o factor habitualmente mais referido, Isabel Vaz enumera outros mais relevantes: "perguntam-nos quais os profissionais que lá trabalham, as condições do bloco, as tecnologias e equipamentos disponíveis, tipos de cirurgia que fazemos, se temos uma boa medicina interna e equipa de enfermagem", avança.

 

A responsável da ESS e José Carlos Lopes Martins, do grupo Mello, partilham as mesmas opiniões quanto à medicina privada. "Em cada uma das especialidades, a tecnologia disponível é a do estado da arte. Por vezes até temos equipamentos que não existem no público", diz Lopes Martins.

 

O número de casos que lá chegam já permite realizar as mesmas técnicas (ou quase) que no público e a "organização das equipas" é estimulante. Isabel Vaz fala também em qualidade de vida: "Os médicos querem trabalhar apenas num sítio e acabam por escolher cada vez mais ficar no privado. E aqui têm boas condições e estruturas sofisticadas", conclui.

 

 

Fonte: DN