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Planeta Cultural

Acima de tudo, cultura geral

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Angola: Salas de cinema há anos à deriva

Planeta Cultural, 31.03.12

Há quase duas décadas que grande parte das salas de cinema da cidade de Luanda deixou de funcionar. Muitas estão votadas ao abandono total e em estado de grande degradação. As que ainda resistem ao tempo acolhem actividades culturais, políticas e religiosas.


Uma aparelhagem de som foi montada à entrada do cine Kilumba, em Viana, para dar suporte a um grupo de jovens sentados em cadeiras de plástico, que procedia à venda de bilhetes para um acto cultural, previsto para aquele fim-de-semana no local.


As paredes do cine denunciam a necessidade urgente de reabilitação. O bar também deixou de funcionar há alguns anos, albergando familiares de dois antigos funcionários de uma sociedade ligada à área do cinema, que moram no local desde 2002, com a finalidade de garantirem a segurança.


A maioria das cadeiras de ferro resistem ao tempo, mas algumas estão partidas e abandonadas à volta do quintal. O tecto está perfurado e permite a entrada de raios de sol e da água das chuvas.

 

Com uma arquitectura antiga, possui uma cobertura que se limita apenas ao espaço da assistência enquanto o palco se situa ao ar livre. As fissuras são visíveis e vários fios eléctricos foram instalados de forma desordenado ao longo das paredes da sala.


O capim tomou conta do quintal e invadiu o antigo jardim e o velho passeio, que criou pequenos buracos. O lixo, deixado pelos utentes do espaço, permanece no local por falta de limpeza assídua.


“As pessoas que alugam a sala do cinema têm a responsabilidade de fazer a limpeza, antes de realizar a sua actividade”, explica Brito Ambriz, responsável pela segurança do cine Kilumba.

Os postos de iluminação há muito que deixaram de ter lâmpadas e os suportes estão enfarpelados de teias de aranha. Nas árvores, observam-se pássaros que cantam minuto a minuto, dando mostras de se sentirem tranquilos no seu habitat.


Brito Ambriz confirmou que o cine Kilumba deixou de exibir filmes com regularidade em 1992 e, nos últimos anos, tem albergado espectáculos de músicos nacionais, sobretudo kuduristas. “Os realizadores angolanos têm exibido filmes neste local, mas têm contado com uma presença diminuta de vianenses”, explica.

Cine Cazenga

A rua de acesso ao cinema recebeu algum trabalho de terraplanagem. O Cine Cazenga começa a ter nova aparência graças à mão de uma Associação Juvenil dos Naturais do Tala Hady. A sala tem um tecto novo e as paredes estão a receber outra pintura.


“As obras seguem a bom ritmo, mas ainda há muito trabalho por fazer”, disse Hélder António, acrescentado que quando chegaram ao cinema as instalações estavam submersas pela água das chuvas.


“Não se podia entrar por causa da lagoa que é provocada pelas chuvas”, disse Hélder António, membro da Associação, que existe há sete anos e tomou conta do espaço, por ser o único local de lazer no  município do Cazenga.


A organização está a reabilitar o cinema com o dinheiro das quotas dos membros, que estão preocupados com a ocupação da juventude.
A sala principal tem recebido actividades culturais, como teatro, espectáculos musicais e de dança. No entanto, vários grupos culturais também aproveitam o local para fazer os seus ensaios.


As obras vão prosseguir, nos próximos 15 dias, nas outras áreas do cine Cazenga, no restaurante e nas casas de banho.


A organização prevê dificuldades no momento de adquirir as cadeiras e outros equipamentos de suporte para exibição de filmes. “Esperamos contar com o apoio da Administração do Cazenga para a compra de alguns meios”, adiantou, esperançado. É ali que funciona a sede da Associação, da Comissão de Moradores e do Clube Desportivo.

O velho Ngola

A entrada principal está gradeada. O reclame “Ngola Cine” ainda resiste à ferrugem e degradação das infra-estruturas. Papelão recortado cobre os espaços de bilheteira, mas uma abertura permite-nos ver uma mochila e outros haveres do pessoal que guarda o espaço. Mesmo com muita tralha, a segurança aproveita a sombra daquele espaço para descansar.


No seu interior, apenas estão implantados carcaças de carros e capim alto, que alberga répteis de espécies diferentes. Não há assentos e é impossível desvendar com facilidade o local em que estava montada a bancada e a tela.


As paredes estão pichadas e vendedores e clientes do mercado dos Congolenses depositam o lixo e urinam na vedação do Cine.  
Todos os municípios de Luanda tinham, pelo menos, uma sala de cinema, muito concorrida por crianças e jovens.

Reabilitar as salas

O director da Empresa Nacional de Distribuição do Cinema (Edicine), Lourenço Roque, disse que, em Luanda, o Estado tutela sete salas de cinema: Corimba, Tropical, Atlântico, Nacional, S. Paulo, Cazenga e África. “Todos elas são geridos por parceiros privados e boa parte deles carecerem de investimentos para a sua requalificação”, asseverou, referindo que alguns cinemas são propriedade do Estado.


Uma das soluções pode passar, na sua opinião, pela construção de novos espaços e/ou a requalificação dos existentes, proporcionando outros serviços ao público.


Lourenço Roque reconheceu a degradação dos cinemas e a necessidade de investimentos para a sua reabilitação, assim como para o apetrechamento, com os novos suportes utilizados actualmente na exibição comercial.


Existem, garantiu Lourenço Roque, propostas de parcerias com várias entidades. Os procedimentos estão a ser objecto de análise, com base nos termos de referência para o tipo de infra-estruturas viradas para a área cultural.


“O cine Kilumba não é propriedade da empresa, não nos é possível prestar os devidos esclarecimentos acerca da sua utilização”, explicou, quando questionado ­sobre a privatização do espaço. O programa de actividades do Ministério da Cultura ainda não contempla a privatização destes espaços, no contexto do relançamento da vertente de exibição.


A recuperação das salas de cinemas, a nível do país, conta com o investimento dos empresários nacionais, dos governos provinciais e de outras instituições, em parcerias público/privada.


Lourenço Roque reconheceu, mais uma vez, que grande parte dos cines não se adapta aos novos tempos, daí a necessidade da sua requalificação, incorporando outros serviços, como salas para multidões, que sirvam para exposições de artes, no geral.


“Dado o crescimento da cidade de Luanda e, consequentemente, da população, é imperioso construir mais salas”, admitiu.


Quanto aos elevados preços praticados por alguns cines, Lourenço Roque explicou que estão liberalizados para esta actividade e outros espectáculos, ficando portanto fora da alçada de regulação por parte dos órgãos do Estado.

 

 

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